segunda-feira, 7 de novembro de 2011
MEU DEUS, ME DÊ CORAGEM... - Clarice Lispector
"Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios da tua presença
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude
Faça com que eu seja a tua amante humilde
entrelaçada a ti em êxtase
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala
Faça com que eu tenha a coragem de te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo
Faça com que a solidão não me destrua
Faça com que minha solidão
me sirva de companhia
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir como se estivesse
plena de tudo
Receba em teus braços o meu pecado de pensar"
sábado, 5 de novembro de 2011
Depois de um sonho...
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Conversa poética.
Dois amigos perdidos numa madrugada, vagando pelo mundo cibernético, e até que meio de repente.....entre um café e outro..... O encontro:
Ela diz: Oi, querido! Como você está?
Ele: Eu estou bem e você?
Ela: Estou triste minha avó anda muito doente.
Ele: Poxa que barra.
Ela: É..... é sim.
#E aí o silêncio de alguns segundos com ansiedade...a vontade que ele diga algo que aqueça mais seu coração. Até estavam aparentando saudade um do outro algo muito simples, eles são discretos para grandes demonstrações de afeto#
Ele: Eu bem estava sentindo falta de conversar contigo
Ela: É,então vamos conversar, tava querendo isso.
Ele: Eu estou com frio e com preguiça, por isso estou de short e batendo queixo.
Ela: Queria sentir frio, sinto abafado e mofo. Estou de vestido, torcendo que o sudoeste passe, refresque e leve as fragrâncias negativas embora trazendo um pouco de amor.
Ele: Mais esse amor seria quente e quente já está. O melhor é que o vento persista
mas que sopre forte e levante as saias.
Ela: O externo é quente, mas o interno é frio, por isso o vento precisa trazer o amor para esquentar, talvez um xícara de afeto. Quando dentro aquece, as saias se levantam, afinal de contas o ar quente é leve.
Ele: Caiu aqui.
Ela: O poeta perdeu as palavras? Assim, pensei que as tinham perdido.Viu minha última mensagem?
Ele: É o frio que gruda os meus dedos em mim, até a brisa que sopro é gelada hoje, estou ficando cinza.
Ela: Não fique assim.
Ele:Eu preciso de um beijo azul.
Ela: Soprarei uns ventos, e abraços cor de uva, apesar do gelo interno ainda tenho beijo vermelho.
Ele: Eu estou com um abraço verde,esperando você chegar,e a pele rosa pra você impor o beijo.
Ela: Por mais que esteja com frio, podendo estar com cores sombrias, mas quando meus olhos ti imaginam, cores cor de pele dão contorno a energia avermelhada e envolvente que sempre estará lá.
.....
Congelou?Não curti seu silêncio.
Ele: Essa era facebookiana, faz a gente curtir e não curtir coisas, eu prefiro degustar.
Ela: Não degustei seu silêncio.
Ele ri
Ela: Esse papel não combina com você.
Ele: É que estou com os dedos doendo e com dificuldade pra pensar vou pegar uma coberta pra melhorar a situação.
Ela : Pegue, meu querido. Porque assim não dá.
Ele: Vortei
Ela: Aê
Ele: Veremos como será agora
Ela: Começe, lhe dou a palavra.
Ele: Ai,e que palavra você me deu?
Ela: A de falar pra mim o que quiser falar. O que vier a cabeça.
Ele: Na minha cabeça surge um impeditivo, esse frio que não é outro, é esse aqui glacial real que me fere a carne e impede transcender eu me quebro na parede gelo minha alma pode até adormecer assim será que eu acordo em mil anos?
Ela: Não sei, seria muito complexo prever. Tua transcendência não depende da temperatura, se tua carne se fere é porque está presa a ela. Abstraia. E venha. Tua alma meu querido não dorme. ela pode até se cansar das besteiras cotidianas que tentam dominá-la. Meus olhos andam um pouco cansados das mesmas cores que ele alcança. O frio lhe toma o corpo, e tu boca que gosto tem?
Ele: Gosto de uísque, peguei uma dose
Ela: E?
Ele: Estou tentando esquentar.
Ela: Esquente e venha com mais criatividade e disposição. Estou lhe esperando, poeta.
Ele: Querida, tá muito frio.
Ela: Ai hoje, você está hein?! Esquece o frio. Tu está cheio de realidade chata com esse frio. A alma que vai adormecer é a minha agora. Beijos.
Ele: Oh, mas eu quase consigo quebrar o gelo do real.
Ela: Hoje não, meu amor.
Ele: É
Ela:O real foi o gelo.
Ele: Hoje está difícil mesmo.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
ela.
A vida aberta, e seu ser olhando por algumas frestas o rio correndo, molhando folhas, do outro lado carros, e o movimento do vento na janela que ela olha, faz imaginar momentos e movimentos adversos dos quais ela vive. Uma tarde qualquer no Rio, o Sol forte que dá o brilho e cor radiante pela cidade. Olhares na areia e o pensamento preso no grão de areia parado, que sozinho incomoda e junto conforta o corpo que se deita por cima de ti.Teria ela o papel de simplesmente aguentar suportar o outro em cima de ti, este que tanto se aproveita de tua pele, teu cheiro e adentra por teus interiores e deixa para ti o gosto ruim da noite mal dormida, do abraço mal dado, do sexo mal feito, do beijo não dado, das palavras nāo ditas e muito menos sentidas.E ela pára pensa e vê o sol batendo na pele de várias pessoas ao mesmo tempo aquecendo corpos e relações iniciantes, inacabadas e finalizadas. E o que é comum a nós? Qual a possibilidade do encontro de almas que vagam?Estas hoje engolem diariamente o líquido do efêmero. E com tiros matam sentimentos de alguns que se recusam a viver dessa forma e que ainda são absorvidos pela nostalgia do passado. De se entregar a vida, que significava viver amores, paixões, tudo bem que fosse eterno enquanto durasse, mas que se vivesse. A ditadura do preciso ser livre que faz com que eu não viva o amor, e quem foi que disse que amar é uma prisão?Nos isolamos na nossa liberdade e nos infantilizamos no nosso mísero mundinho quando negamos de viver um amor.E era isso que ela pensava, em seu quarto, olhando a praia, imaginando mundos e sofrendo...Olhava-se no espelho, e qual era a imagem do outro lado? Não sabia..... Como assim? É quase nunca se identificava com o que seu olho via.....Ai, angústia que rasga esse peito e a coloca de joelhos diante de si mesma, como mudar?Só em poucos momentos, quando fechava os olhos aí sim , ela se enxergava. Assim ela podia sentir o que sua alma emanava e aí conseguia entender melhor o mundo a sua volta, pois ela via com os olhos da alma. As vezes parecia que seu destino era sofrer pois ela vivia onde os olhos eram exteriores.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
&*#@%!*%¨$#@&!
um pedaço.
quinta-feira, 10 de março de 2011
O momento liquidificador.
Hoje vai ser diferente o texto, não vai ser poético, aliás não vai tentar ser, né. Porque eu mesmo de poeta nem tenho cara. Hoje vou falar, de agora..dos momentos que de vez em quando a gente vive, de raiva, angústia. A PORRA da ansiedade para que as coisas aconteçam, que o telefone toque e seja o carinho que se está aguardando, ou a proposta esperada. E aí você pensa que vive um vazio, mas está vivendo mesmo o cheio. O cheio de coisas dentro de você que começam a incomodar, e tudo passa a irritar. Limite de frustração: 0..... o telefone no silêncio. Falta do que fazer? Impossível, pilhas de atividades. Cabeça rodando na procura do que não se tem, precisando desabafar não sei o que, mas sabe o destino que quer chegar. As pernas balançam...mas não dançam. Num sei, fico viajando aqui no meu quarto e pensando, será mesmo que estamos na era do vazio? Será? Eu penso que estamos na época dos lotados, super lotados...Penso no vazio como o momento da incógnita, onde tudo está tão confuso que é melhor dizer que está vazia, do que com um balde de lamentações ou entupida de lixo que são emanados pela vida que se escolhe viver. Pois é eu me pergunto. Eu admito, que eu sinto vazio dentro de mim, me sinto só, me sinto incompreendida. Porém me sinto perdida no mundo de milhões de possibilidades, onde não consigo escutar meu próprio desejo porque está massificado em cima de milhões de outros impostos. E eu? Nesse meio, penso o que?, faço o que?, gosto do que e o que é que eu quero? São perguntas que faço sempre, sou crítica mesmo. Doidera. Prazer e dor, unidos num só corpo.
terça-feira, 8 de março de 2011
O veneno crítico escorreu.
É carnaval. É pula-pula. É alegria. A diversão das cores misturadas. Iludidas de serem uma só. De representarem um só povo, que na realidade são vários povos num só espaço por um pouco tempo, que fingem que se agüentam e contam a felicidade daquele momento. E pra que a total embriaguez? Muitos nem mais as cores enxergam. É o tempo da fantasia ir a rua. É o tempo que a peça mais ridícula entra na brincadeira como sendo artigo de luxo. É eu sei que a crítica está pesada, que talvez seja por que não sou fã do carnaval. Admito. Mas tenho pena dos milhões de brasileiros que vivem uma ilusão do ano inteiro que o carnaval é a época onde todos são iguais. Quando muitas vezes o intuito dessa festa é Beber, Cair e Levantar. Realmente eu não consigo captar a tamanha graça disso. Beijar mil? Ser quem você quiser? Só me vem na cabeça uma besta alienação de 10 dias no ano, da qual muitos brasileiros fazem mil e uma peripécias. É, uma luz vem na minha cabeça, que isso faz parte da cultura. Afinal de contas a meu ver, a cultura do povo que vive na ilusão e sobrevive na realidade. Do povo que vive da imagem, da aparência, muitas vezes parece só gostar de se mostrar através da cara, do corpo e não do conteúdo. A fantasia imagética ilude muitos habitantes com uma vida melhor, que elas só vêem na televisão, que domina suas subjetividades. Povo que vivencia a dureza de cada dia, aparentando não ter mais vontade de entender o significado da palavra sonhar. Acho que se pudesse e tivesse mais paciência escreveria linhas e linhas críticas, contra essa época do ano. Sei que este texto não agradará, porém vivo no tempo da liberdade de expressão.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Mais uma vez reticências...
Quase que menina,
Quase que mulher,
Passando, andando,
Vivendo.
E dentro do peito carrega a mais fina flor e dor.
Que espera o momento para sair.
Flor essa que alimenta sua alma.
Que mostra a beleza de cada dia,
De poder acordar o ver o sorriso doce de uma criança,
De ver a vida mudar,
E essa dor mais que pesar.
Construindo buracos.
Faz o rombo, sem deixar nome, telefone e endereço.
E ela que mergulhe nas profundezas do mar subjetivo
Para descobrir os porquês, caso isso seja possível.
As alternâncias do ser.
É com elas que se vive.
Experimente.
Procura.
Palavras, cadê vocês?
Sumiram?
Não façam isso comigo.
Não me deixem só.
Vocês me ajudam a pensar e a mudar.
È o buraco do redemoinho,
E aquela menina olhando para ele,
Pensando, me jogo ou não?
Será que dá? Será que posso?
E aí o tempo dela paralisa,
Ela se cansa de tantas repetições,
Dúvidas infinitas, e o propósito?
Sofrer?Crescer? Amadurecer?
Palavras venham ao meu encontro.
Não sei onde as escondi,
Espero que não as tenha perdido.
Quero ver vocês tomando formas,
As minhas formas.
E vejo que continuo no círculo do meu umbigo.
O sentido do olho
O olhar
que te cuida,
que te acaricia,
que te entende,
que te faz crescer,
que junto com o seu olhar,
constrói o seu real,
que lhe limita também,
afinal de contas o real é feito disso.
o profundo olhar,
que na maioria das vezes não faço questão de enxergar
mas sei que ele está lá.
me olhando,
me percebendo
você se inscreveu em mim,
com sua humildade e respeito
aliada a uma perspicácia nata,
esperando o exato momento de falar.
o espaço é seu, você construiu.
o bote é meu, mas permito você guiar.
você merece.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
e mais uma vez ...
Ultimamente venho pensando no que anda fazendo a falta de criatividade me visitar, acho péssimo isso. Não ando deixando de sentir, mas ando deixando de escrever, ando deixando algumas coisas para trás, mas não queria parar de escrever, isso movimenta minha vida, e me impulsiona a viver. Sou estranha, eu falo de falta de criatividade, mas minha cabeça borbulha, de pensamentos que não estão sendo expressos. Estão sendo deixados para depois. Não queria que isso virasse um diário, mas percebi que gosto de escrever sobre mim, e que através das minhas palavras o mundo se revela. Falo de mim, falo do outro e do mundo que me cerca e assim vou construindo alguns textos, alguns momentos algumas vidas.