terça-feira, 8 de março de 2011

O veneno crítico escorreu.

É carnaval. É pula-pula. É alegria. A diversão das cores misturadas. Iludidas de serem uma só. De representarem um só povo, que na realidade são vários povos num só espaço por um pouco tempo, que fingem que se agüentam e contam a felicidade daquele momento. E pra que a total embriaguez? Muitos nem mais as cores enxergam. É o tempo da fantasia ir a rua. É o tempo que a peça mais ridícula entra na brincadeira como sendo artigo de luxo. É eu sei que a crítica está pesada, que talvez seja por que não sou fã do carnaval. Admito. Mas tenho pena dos milhões de brasileiros que vivem uma ilusão do ano inteiro que o carnaval é a época onde todos são iguais. Quando muitas vezes o intuito dessa festa é Beber, Cair e Levantar. Realmente eu não consigo captar a tamanha graça disso. Beijar mil? Ser quem você quiser? Só me vem na cabeça uma besta alienação de 10 dias no ano, da qual muitos brasileiros fazem mil e uma peripécias. É, uma luz vem na minha cabeça, que isso faz parte da cultura. Afinal de contas a meu ver, a cultura do povo que vive na ilusão e sobrevive na realidade. Do povo que vive da imagem, da aparência,  muitas vezes parece  só gostar de se mostrar através da cara, do corpo e não do conteúdo. A fantasia imagética ilude muitos habitantes com uma vida melhor, que elas só vêem na televisão, que domina suas subjetividades. Povo que vivencia a dureza de cada dia, aparentando não ter mais vontade de entender o significado da palavra sonhar. Acho que se pudesse e tivesse mais paciência escreveria linhas e linhas críticas, contra essa época do ano. Sei que este texto não agradará, porém vivo no tempo da liberdade de expressão.

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