segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ela.


A vida aberta, e seu ser olhando por algumas frestas o rio correndo, molhando folhas, do outro lado carros, e o movimento do vento na janela que ela olha, faz imaginar momentos e movimentos adversos dos quais ela vive. Uma tarde qualquer no Rio, o Sol forte que dá o brilho e cor radiante pela cidade. Olhares na areia e o pensamento preso no grão de areia parado, que sozinho incomoda e junto conforta o corpo que se deita por cima de ti.Teria ela o papel de simplesmente aguentar suportar o outro em cima de ti, este que tanto se aproveita de tua pele, teu cheiro e adentra por teus interiores e deixa para ti o gosto ruim da noite mal dormida, do abraço mal dado, do sexo mal feito, do beijo não dado, das palavras nāo ditas e muito menos sentidas.E ela pára pensa e vê o sol batendo na pele de várias pessoas ao mesmo tempo aquecendo corpos e relações iniciantes, inacabadas e finalizadas. E o que é comum a nós? Qual a possibilidade do encontro de almas que vagam?Estas hoje engolem diariamente o líquido do efêmero. E com tiros matam sentimentos de alguns que se recusam a viver dessa forma e que ainda são absorvidos pela nostalgia do passado. De se entregar a vida, que significava viver amores, paixões, tudo bem que fosse eterno enquanto durasse, mas que se vivesse. A ditadura do preciso ser livre que faz com que eu não viva o amor, e quem foi que disse que amar é uma prisão?Nos isolamos na nossa liberdade e nos infantilizamos no nosso mísero mundinho quando negamos de viver um amor.E era isso que ela pensava, em seu quarto, olhando a praia, imaginando mundos e sofrendo...Olhava-se no espelho, e qual era a imagem do outro lado? Não sabia..... Como assim? É quase nunca se identificava com o que seu olho via.....Ai, angústia que rasga esse peito e a coloca de joelhos diante de si mesma, como mudar?Só em poucos momentos, quando fechava os olhos aí sim , ela se enxergava. Assim ela podia sentir o que sua alma emanava e aí conseguia entender melhor o mundo a sua volta, pois ela via com os olhos da alma. As vezes parecia que seu destino era sofrer pois ela vivia onde os olhos eram exteriores.

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