quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Conversa poética.


Dois amigos perdidos numa madrugada, vagando pelo mundo cibernético, e até que meio de repente.....entre um café e outro..... O encontro:
Ela diz: Oi, querido! Como você está?
Ele: Eu estou bem e você?
Ela: Estou triste minha avó anda muito doente.
Ele: Poxa que barra.
Ela: É..... é sim.
#E aí o silêncio de alguns segundos com ansiedade...a vontade que ele diga algo que aqueça mais seu coração. Até estavam aparentando saudade um do outro algo muito simples, eles são discretos para grandes demonstrações de afeto#
Ele: Eu bem estava sentindo falta de conversar contigo
Ela: É,então vamos conversar, tava querendo isso.
Ele: Eu estou com frio e com preguiça, por isso estou de short e batendo queixo.
Ela: Queria sentir frio, sinto abafado e mofo. Estou de vestido, torcendo que o sudoeste passe, refresque e leve as fragrâncias negativas embora trazendo um pouco de amor.
Ele: Mais esse amor seria quente e quente já está. O melhor é que o vento persista
mas que sopre forte e levante as saias.
Ela: O externo é quente, mas o interno é frio, por isso o vento precisa trazer o amor para esquentar, talvez um xícara de afeto. Quando dentro aquece, as saias se levantam, afinal de contas o ar quente é leve.
Ele: Caiu aqui.
Ela: O poeta perdeu as palavras? Assim, pensei que as tinham perdido.Viu minha última mensagem?
Ele: É o frio que gruda os meus dedos em mim, até a brisa que sopro é gelada hoje, estou ficando cinza.
Ela: Não fique assim.
Ele:Eu preciso de um beijo azul.
Ela: Soprarei uns ventos, e abraços cor de uva, apesar do gelo interno ainda tenho beijo vermelho.
Ele: Eu estou com um abraço verde,esperando você chegar,e a pele rosa pra você impor o beijo.
Ela: Por mais que esteja com frio, podendo estar com cores sombrias, mas quando meus olhos ti imaginam, cores cor de pele dão contorno a energia avermelhada e envolvente que sempre estará lá.
.....
Congelou?Não curti seu silêncio.
Ele: Essa era facebookiana, faz a gente curtir e não curtir coisas, eu prefiro degustar.
Ela: Não degustei seu silêncio.
Ele ri
Ela: Esse papel não combina com você.
Ele: É que estou com os dedos doendo e com dificuldade pra pensar vou pegar uma coberta pra melhorar a situação.
Ela : Pegue, meu querido. Porque assim não dá.
Ele: Vortei
Ela: Aê
Ele: Veremos como será agora
Ela: Começe, lhe dou a palavra.
Ele: Ai,e que palavra você me deu?
Ela: A de falar pra mim o que quiser falar. O que vier a cabeça.
Ele: Na minha cabeça surge um impeditivo, esse frio que não é outro, é esse aqui glacial real que me fere a carne e impede transcender eu me quebro na parede gelo minha alma pode até adormecer assim será que eu acordo em mil anos?
Ela: Não sei, seria muito complexo prever. Tua transcendência não depende da temperatura, se tua carne se fere é porque está presa a ela. Abstraia. E venha. Tua alma meu querido não dorme. ela pode até se cansar das besteiras cotidianas que tentam dominá-la. Meus olhos andam um pouco cansados das mesmas cores que ele alcança. O frio lhe toma o corpo, e tu boca que gosto tem?
Ele: Gosto de uísque, peguei uma dose
Ela: E?
Ele: Estou tentando esquentar.
Ela: Esquente e venha com mais criatividade e disposição. Estou lhe esperando, poeta.
Ele: Querida, tá muito frio.
Ela: Ai hoje, você está hein?! Esquece o frio. Tu está cheio de realidade chata com esse frio. A alma que vai adormecer é a minha agora. Beijos.
Ele: Oh, mas eu quase consigo quebrar o gelo do real.
Ela: Hoje não, meu amor.
Ele: É
Ela:O real foi o gelo.
Ele: Hoje está difícil mesmo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ela.


A vida aberta, e seu ser olhando por algumas frestas o rio correndo, molhando folhas, do outro lado carros, e o movimento do vento na janela que ela olha, faz imaginar momentos e movimentos adversos dos quais ela vive. Uma tarde qualquer no Rio, o Sol forte que dá o brilho e cor radiante pela cidade. Olhares na areia e o pensamento preso no grão de areia parado, que sozinho incomoda e junto conforta o corpo que se deita por cima de ti.Teria ela o papel de simplesmente aguentar suportar o outro em cima de ti, este que tanto se aproveita de tua pele, teu cheiro e adentra por teus interiores e deixa para ti o gosto ruim da noite mal dormida, do abraço mal dado, do sexo mal feito, do beijo não dado, das palavras nāo ditas e muito menos sentidas.E ela pára pensa e vê o sol batendo na pele de várias pessoas ao mesmo tempo aquecendo corpos e relações iniciantes, inacabadas e finalizadas. E o que é comum a nós? Qual a possibilidade do encontro de almas que vagam?Estas hoje engolem diariamente o líquido do efêmero. E com tiros matam sentimentos de alguns que se recusam a viver dessa forma e que ainda são absorvidos pela nostalgia do passado. De se entregar a vida, que significava viver amores, paixões, tudo bem que fosse eterno enquanto durasse, mas que se vivesse. A ditadura do preciso ser livre que faz com que eu não viva o amor, e quem foi que disse que amar é uma prisão?Nos isolamos na nossa liberdade e nos infantilizamos no nosso mísero mundinho quando negamos de viver um amor.E era isso que ela pensava, em seu quarto, olhando a praia, imaginando mundos e sofrendo...Olhava-se no espelho, e qual era a imagem do outro lado? Não sabia..... Como assim? É quase nunca se identificava com o que seu olho via.....Ai, angústia que rasga esse peito e a coloca de joelhos diante de si mesma, como mudar?Só em poucos momentos, quando fechava os olhos aí sim , ela se enxergava. Assim ela podia sentir o que sua alma emanava e aí conseguia entender melhor o mundo a sua volta, pois ela via com os olhos da alma. As vezes parecia que seu destino era sofrer pois ela vivia onde os olhos eram exteriores.