Dois amigos perdidos numa madrugada, vagando pelo mundo cibernético, e até que meio de repente.....entre um café e outro..... O encontro:
Ela diz: Oi, querido! Como você está?
Ele: Eu estou bem e você?
Ela: Estou triste minha avó anda muito doente.
Ele: Poxa que barra.
Ela: É..... é sim.
#E aí o silêncio de alguns segundos com ansiedade...a vontade que ele diga algo que aqueça mais seu coração. Até estavam aparentando saudade um do outro algo muito simples, eles são discretos para grandes demonstrações de afeto#
Ele: Eu bem estava sentindo falta de conversar contigo
Ela: É,então vamos conversar, tava querendo isso.
Ele: Eu estou com frio e com preguiça, por isso estou de short e batendo queixo.
Ela: Queria sentir frio, sinto abafado e mofo. Estou de vestido, torcendo que o sudoeste passe, refresque e leve as fragrâncias negativas embora trazendo um pouco de amor.
Ele: Mais esse amor seria quente e quente já está. O melhor é que o vento persista
mas que sopre forte e levante as saias.
Ela: O externo é quente, mas o interno é frio, por isso o vento precisa trazer o amor para esquentar, talvez um xícara de afeto. Quando dentro aquece, as saias se levantam, afinal de contas o ar quente é leve.
Ele: Caiu aqui.
Ela: O poeta perdeu as palavras? Assim, pensei que as tinham perdido.Viu minha última mensagem?
Ele: É o frio que gruda os meus dedos em mim, até a brisa que sopro é gelada hoje, estou ficando cinza.
Ela: Não fique assim.
Ele:Eu preciso de um beijo azul.
Ela: Soprarei uns ventos, e abraços cor de uva, apesar do gelo interno ainda tenho beijo vermelho.
Ele: Eu estou com um abraço verde,esperando você chegar,e a pele rosa pra você impor o beijo.
Ela: Por mais que esteja com frio, podendo estar com cores sombrias, mas quando meus olhos ti imaginam, cores cor de pele dão contorno a energia avermelhada e envolvente que sempre estará lá.
.....
Congelou?Não curti seu silêncio.
Ele: Essa era facebookiana, faz a gente curtir e não curtir coisas, eu prefiro degustar.
Ela: Não degustei seu silêncio.
Ele ri
Ela: Esse papel não combina com você.
Ele: É que estou com os dedos doendo e com dificuldade pra pensar vou pegar uma coberta pra melhorar a situação.
Ela : Pegue, meu querido. Porque assim não dá.
Ele: Vortei
Ela: Aê
Ele: Veremos como será agora
Ela: Começe, lhe dou a palavra.
Ele: Ai,e que palavra você me deu?
Ela: A de falar pra mim o que quiser falar. O que vier a cabeça.
Ele: Na minha cabeça surge um impeditivo, esse frio que não é outro, é esse aqui glacial real que me fere a carne e impede transcender eu me quebro na parede gelo minha alma pode até adormecer assim será que eu acordo em mil anos?
Ela: Não sei, seria muito complexo prever. Tua transcendência não depende da temperatura, se tua carne se fere é porque está presa a ela. Abstraia. E venha. Tua alma meu querido não dorme. ela pode até se cansar das besteiras cotidianas que tentam dominá-la. Meus olhos andam um pouco cansados das mesmas cores que ele alcança. O frio lhe toma o corpo, e tu boca que gosto tem?
Ele: Gosto de uísque, peguei uma dose
Ela: E?
Ele: Estou tentando esquentar.
Ela: Esquente e venha com mais criatividade e disposição. Estou lhe esperando, poeta.
Ele: Querida, tá muito frio.
Ela: Ai hoje, você está hein?! Esquece o frio. Tu está cheio de realidade chata com esse frio. A alma que vai adormecer é a minha agora. Beijos.
Ele: Oh, mas eu quase consigo quebrar o gelo do real.
Ela: Hoje não, meu amor.
Ele: É
Ela:O real foi o gelo.
Ele: Hoje está difícil mesmo.